Trio Maldito: mudanças entre as edições
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[[ | Os dois primeiros eram estudantes de medicina. O terceiro frequentava a Faculdade de Direito e foi o principal responsável pela adesão da colônia árabe de Belo Horizonte ao Clube Atlético Mineiro. Enquanto atuaram juntos, [[Mário de Castro]], [[Jairo de Assis Almeida]] e [[Said Paulo Arges]] estrelaram um dos mais formidáveis trios de ataque do período amador do futebol brasileiro. Para a imprensa e para os adversários, eram o Trio Maldito. Para a massa alvinegra, nunca houve linha tão bendita. | ||
=== Mário de Castro === | |||
Nunca época em que o futebol tinha um calendário tímido, com encontros em poucos finais de semana do ano, Jairo fez 122 gols com a camisa alvinegra. Said, 142. Mário de Castro, 195 em apenas 100 jogos - média de 1,95 gols por jogo. Ficou no Atlético até 1931 e manteve o cetro de maior artilheiro da história do clube até [[1974]], quando foi superado por [[Dario José dos Santos]]. (Depois, os dois seriam ultrapassados por [[Reinaldo]], o maior de todos, autor de 255 tentos pelo quadro profissional do alvinegro.) Mário foi fenomenal, o maior jogador de seu tempo. | |||
''"Mário de Castro nunca chutava uma bola fora"'', recordaria o atleticano José Secondino dos Santos, décadas e décadas depois de ter visto o artilheiro em campo. ''"Ou o goalkeeper defendia, ou ela entrava. Nunca ia fora."'' A precisão do tiro era apenas um dos detalhes do talento daquele gênio. ''"Ele dava um chute forte e a bola pegava um efeito tão impressionante que voltava para seus pés."'', recorda [[Fileto de Oliveira Sobrinho]], que jogou no Atlético em [[1923]] e [[1924]]. ''"Os outros tentavam fazer igual, mas ninguém conseguia"''. | |||
O grande [[Mário de Castro]] nem tinha barbas quando pisou pela primeira vez a grama rala do velho campo do Atlético, na avenida Paraopeba. O pai, Lindolpho Rodrigues de Castro, era um senhor de terras influente na cidade de Formiga, oeste de Minas. Teve morte prematura, e a família passou a ser comandada pela matriarca, dona Regina de Oliveira. | |||
Quando chegou a Belo Horizonte, em [[1925]], [[Mário de Castro]] foi morar numa república de estudantes, na Rua dos Carijós, e logo procurou um time. Bateu primeiro à porta do América. Foi aceito sem problemas. Participou de alguns treinos e depois sumiu. Mandou dizer que estava adoentado e reapareceu dias depois, mas no campo do Atlético, do outro lado da avenida Paraopeba. No primeiro treino, o técnico Chico Neto o escalou entre os titulares. Só saiu do time quando resolveu voltar à sua terra natal. | |||
''Center-forward'' de nascença, [[Mário de Castro]] foi o primeiro jogador de um time mineiro a ser chamado para a [[Seleção Brasileira]] de futebol. O jogo de inauguração do estádio de Lourdes foi visto por um diretor da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), Horácio Werner, e por um representante da Associação dos Cronistas Desportivos do Rio de Janeiro, Alysio de Hollanda Távora. Os dois ficaram estupefados com o futebol do craque. Dias depois, [[Mário de Castro]] recebeu um comunicado. Ele deveria se apresentar no Rio de Janeiro para a integrar a Seleção. Seria o reserva de Carvalho Leite, atacante do [[Botafogo-RJ|Botafogo do Rio]]. ''"Respondi que só iria para ser titular"'', diria, décadas depois o atacante atleticano. E, assim, o Atlético não teve representantes na primeira Copa do Mundo, a de [[1930]]. | |||
Depois do mundial, [[Mário de Castro|Mário]] teve a oportunidade de duelar com Carvalho Leite e mostrar qual dos dois era o melhor. Em [[30 de agosto]] de [[1930]], o Atlético recebeu o [[Botafogo-RJ|Botafogo]] em Belo Horizonte. Venceu por 3 a 2 - e todos os gols dos alvinegro de Minas Gerais foram marcados por [[Mário de Castro]]. Na revanche, na festa de inauguração dos refletores do estádio do [[Botafogo-RJ|Botafogo]], no Rio de Janeiro, em [[1 de outubro|1° de outubro]] do mesmo ano, o [[Botafogo-RJ|Botafogo]] deu o troco: 6 a 3. Carvalho Leite, que não marcara no confronto em Belo Horizonte, fez três. [[Mário de Castro]], dois. No final, o artilheiro do Atlético venceu o duelo por 5 a 3. Estava provado: [[Mário de Castro|Mário]] era o melhor. | |||
Em qualquer time que jogasse, [[Mário de Castro]] teria feito sucesso, Mas certamente não teria brilhado com tanta intensidade se não contasse com a sorte de jogar ao lado de Jairo e Said. Os dois eram craques superlativos. | |||
=== Jairo === | |||
[[Categoria:Esquadrões Alvinegros]] |
Edição das 20h31min de 28 de julho de 2013
Introdução
Os dois primeiros eram estudantes de medicina. O terceiro frequentava a Faculdade de Direito e foi o principal responsável pela adesão da colônia árabe de Belo Horizonte ao Clube Atlético Mineiro. Enquanto atuaram juntos, Mário de Castro, Jairo de Assis Almeida e Said Paulo Arges estrelaram um dos mais formidáveis trios de ataque do período amador do futebol brasileiro. Para a imprensa e para os adversários, eram o Trio Maldito. Para a massa alvinegra, nunca houve linha tão bendita.
Mário de Castro
Nunca época em que o futebol tinha um calendário tímido, com encontros em poucos finais de semana do ano, Jairo fez 122 gols com a camisa alvinegra. Said, 142. Mário de Castro, 195 em apenas 100 jogos - média de 1,95 gols por jogo. Ficou no Atlético até 1931 e manteve o cetro de maior artilheiro da história do clube até 1974, quando foi superado por Dario José dos Santos. (Depois, os dois seriam ultrapassados por Reinaldo, o maior de todos, autor de 255 tentos pelo quadro profissional do alvinegro.) Mário foi fenomenal, o maior jogador de seu tempo.
"Mário de Castro nunca chutava uma bola fora", recordaria o atleticano José Secondino dos Santos, décadas e décadas depois de ter visto o artilheiro em campo. "Ou o goalkeeper defendia, ou ela entrava. Nunca ia fora." A precisão do tiro era apenas um dos detalhes do talento daquele gênio. "Ele dava um chute forte e a bola pegava um efeito tão impressionante que voltava para seus pés.", recorda Fileto de Oliveira Sobrinho, que jogou no Atlético em 1923 e 1924. "Os outros tentavam fazer igual, mas ninguém conseguia".
O grande Mário de Castro nem tinha barbas quando pisou pela primeira vez a grama rala do velho campo do Atlético, na avenida Paraopeba. O pai, Lindolpho Rodrigues de Castro, era um senhor de terras influente na cidade de Formiga, oeste de Minas. Teve morte prematura, e a família passou a ser comandada pela matriarca, dona Regina de Oliveira.
Quando chegou a Belo Horizonte, em 1925, Mário de Castro foi morar numa república de estudantes, na Rua dos Carijós, e logo procurou um time. Bateu primeiro à porta do América. Foi aceito sem problemas. Participou de alguns treinos e depois sumiu. Mandou dizer que estava adoentado e reapareceu dias depois, mas no campo do Atlético, do outro lado da avenida Paraopeba. No primeiro treino, o técnico Chico Neto o escalou entre os titulares. Só saiu do time quando resolveu voltar à sua terra natal.
Center-forward de nascença, Mário de Castro foi o primeiro jogador de um time mineiro a ser chamado para a Seleção Brasileira de futebol. O jogo de inauguração do estádio de Lourdes foi visto por um diretor da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), Horácio Werner, e por um representante da Associação dos Cronistas Desportivos do Rio de Janeiro, Alysio de Hollanda Távora. Os dois ficaram estupefados com o futebol do craque. Dias depois, Mário de Castro recebeu um comunicado. Ele deveria se apresentar no Rio de Janeiro para a integrar a Seleção. Seria o reserva de Carvalho Leite, atacante do Botafogo do Rio. "Respondi que só iria para ser titular", diria, décadas depois o atacante atleticano. E, assim, o Atlético não teve representantes na primeira Copa do Mundo, a de 1930.
Depois do mundial, Mário teve a oportunidade de duelar com Carvalho Leite e mostrar qual dos dois era o melhor. Em 30 de agosto de 1930, o Atlético recebeu o Botafogo em Belo Horizonte. Venceu por 3 a 2 - e todos os gols dos alvinegro de Minas Gerais foram marcados por Mário de Castro. Na revanche, na festa de inauguração dos refletores do estádio do Botafogo, no Rio de Janeiro, em 1° de outubro do mesmo ano, o Botafogo deu o troco: 6 a 3. Carvalho Leite, que não marcara no confronto em Belo Horizonte, fez três. Mário de Castro, dois. No final, o artilheiro do Atlético venceu o duelo por 5 a 3. Estava provado: Mário era o melhor.
Em qualquer time que jogasse, Mário de Castro teria feito sucesso, Mas certamente não teria brilhado com tanta intensidade se não contasse com a sorte de jogar ao lado de Jairo e Said. Os dois eram craques superlativos.